sábado, 20 de julho de 2013

Ensino Tutoriado

Certo de que a Educação é a principal ferramenta pública de desenvolvimento social e que o modelo de ensino adotado atualmente é ultrapassado, desestimulador e acima de tudo instrucionista, pergunto-me: Por que acreditar que um modelo que limita a capacidade de participação, de tempo e espaço do estudante possa ser suficiente para o desenvolvimento do cidadão do século XXI?

Acredito que é preciso romper todas as barreiras que limitam o desenvolvimento integral do cidadão e passarmos a enxergar os nossos estudantes, como produtores de conhecimento e não apenas como mero expectadores do saber.

Para tanto, é preciso de um outro olhar sobre o modelo, a estrutura e, principalmente, sobre o resultado que queremos da nossa educação. E é neste sentido que vejo a proposta de Ensino Tutoriado sendo aplicada em todos os níveis, ampliando o espectro do aprendizado e colocando o estudante como centro do processo.

Desta forma, o primeiro desafio da proposta de Ensino Tutoriado será ampliar o conceito de sala de aula e repensar os mecanismos de geração de estímulos a busca e apropriação do conhecimento, pois acredito que a lógica de espaço e tempo atualmente embarcada no conceito de sala de aula, contradiz a dinâmica e o potencial de aprendizagem dos estudantes, criando uma representação mental de limitação do acesso ao conhecimento.

Por outro lado os Centros de Conhecimento, atualmente chamados de escolas, devem repensar a sua estrutura a fim de fornecer o instrumental necessário para apoiar, incentivar, estimular e compartilhar o conhecimento junto aos diversos atores sociais.

Neste contexto, os professores, serão tratados como Tutores e estarão responsáveis pela geração de estímulos, suporte a pesquisa e moderação nos fóruns e seminários, facilitando o compartilhamento do conhecimento entre os estudantes, corrigindo e ampliando o olhar e o entendimento sobre o tema, em pauta.

Já com relação ao método, os coordenadores pedagógicos devem construir currículos flexíveis baseados na contextualização e transversalidade do conhecimento. Pois a geração de estímulos está intrinsecamente relacionada a capacidade de motivar o aluno.

Contudo, vejo o modelo de Ensino Tutoriado muito mais do que uma discussão metodológica e sim um chamado para a mudança do paradigma educacional; a derrubada das barreiras físicas, emocionais, psicológicas, estruturais, políticas e sociais que limitam o acesso e o compartilhamento do saber; o fim da sala de aula tradicional com dezenas de alunos atentos e passivos ao professor e o seu quadro. Enfim, é uma oportunidade real de dar voz a sociedade e reforçar umas das frases mais emblemáticas do saudoso Paulo Freire "ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si".

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